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Plano de expansão de radioterapia no SUS está próximo de 50% da meta

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Foto: Mateus Pereira/Agecom/GovBA

Agência Brasil – Entre janeiro e agosto de 2021, o Ministério da Saúde entregou 13 novos equipamentos de radioterapia a hospitais habilitados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), elevando para 49 o total de dispositivos instalados por meio do Plano de Expansão da Radioterapia no SUS.

Criado em 2012 e iniciado em 2013, o plano prevê a instalação de 100 novos equipamentos de teleterapia. O objetivo é ampliar a oferta de um dos principais procedimentos no tratamento do câncer, a radioterapia, “reduzindo os vazios assistenciais e atendendo às demandas regionais de assistência oncológica” na rede pública de saúde.

Segundo o mais recente balanço divulgado sobre a implementação do plano, até o início deste mês, 11 dos 49 equipamentos já instalados ainda dependiam da obtenção da licença de operação para começar a funcionar.

Além disso, havia, em agosto, mais quatro projetos de instalação em fase de execução: Hospital Universitário Santa Terezinha, em Joaçaba (SC); Santa Casa de Caridade, de Bagé (RS); Hospital Universitário Severino Sombra, de Vassouras (RJ) e Hospital Cura D’ars – Sociedade Beneficente São Camilo, em Fortaleza (CE). Só para equipar o Cura D´ars, o Ministério da Saúde anunciou, em agosto do ano passado, que investiria, à época, R$ 8,5 milhões.

Em novembro de 2017, o então ministro da Saúde, Ricardo Barros, chegou a declarar que a expectativa era de que os  100 novos equipamentos  estivessem instalados até o fim de 2019. Embora o total de equipamentos instalados ainda não chegue a 50% do previsto no plano de expansão de 2012, a análise dos balanços divulgados mensalmente revela que, com o andamento de obras paralisadas e a aprovação de projetos, a ampliação da rede vem se acelerando.

Em dezembro de 2018, havia apenas 12 projetos concluídos e 33 em execução. Um ano depois, 21 equipamentos já tinham sido instalados e 17 obras estavam em andamento. Em dezembro de 2020, o total de soluções de radioterapia entregues chegou a 36, e oito projetos estavam sendo executados.

“Temos muito orgulho de apresentar esses dados”, disse nessa quarta-feira (20) a diretora do Departamento de Atenção Especializada e Temática do Ministério da Saúde, Maíra Botelho. “O objetivo é expandir e integrar o tratamento cirurgia-quimio-radioterapia, tudo em um mesmo hospital, para evitar que os usuários tenham que perambular pela rede [de saúde], perdendo tempo de tratamento”, acrescentou Maíra, ao participar de uma cerimônia na qual o Ministério da Saúde apresentou um balanço das ações da pasta na luta contra o câncer de mama.

O evento foi parte das ações do Outubro Rosa, que busca conscientizar a população em geral sobre a importância de as mulheres estarem atentas à importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, uma doença que pode afetar até 66 mil mulheres anualmente e que é a principal causa de morte entre as brasileiras.

Segundo a organização não governamental Oncoguia, apesar de cerca de 60% dos pacientes diagnosticados com algum tipo de câncer se submeterem à radioterapia, a oferta de tratamento sempre foi uma das mais deficitárias do Sistema Único de Saúde. “A garantia de acesso à radioterapia é um dos maiores desafios do país, sobretudo no SUS”, diz a organização em sua página na internet .

Polícia Federal investiga crimes de corrupção contra Petrobras

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) cumpre hoje (21) dois mandados de busca e apreensão contra suspeitos de crime de corrupção cometido contra a Petrobras. Os mandados da operação Laissez Faire, Laissez Passer foram expedidos pela 13a Vara Federal de Curitiba, no Paraná, e estão sendo cumpridos em Niterói, no Rio de Janeiro.Segundo a PF, o esquema de corrupção ocorreu na antiga diretoria de abastecimento da estatal. As investigações constataram que um empresário usou contratos de prestação de serviços fictícios com a Petrobras para realizar pagamentos ilícitos a uma secretária da diretoria, a um ex-diretor da companhia e a um parlamentar responsável pela indicação do diretor.

A operação tem como base uma colaboração premiada de um empresário investigado. De acordo com a PF, os recursos ilícitos foram usados para custear, por exemplo, obras no apartamento do então diretor e para pagar mensalidades do curso universitário do filho da secretária. Também teriam sido entregues quantias de dinheiro, em espécie, ao gabinete do parlamentar. Os nomes dos investigados não foram revelados.

Seleção enfrenta Uruguai buscando virtual classificação para Copa

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Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Agência Brasil – Seja lá o que acontecer ao final do duelo diante do Uruguai, marcado para as 21h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira (14), o Brasil não estará classificado à Copa do Mundo de 2022 (Catar). Porém, o resultado do confronto na Arena da Amazônia, em Manaus, pode representar, extraoficialmente, a confirmação da vaga. Se vencer, a seleção chegará a 31 pontos. Nunca uma equipe que tenha somado ao menos 30 pontos nas Eliminatórias Sul-Americanas ficou de fora de uma edição do Mundial.

Mudanças na escalação

Para o confronto diante dos uruguaios, o técnico Tite esboçou diversas mudanças em relação ao time que começou a partida contra a Colômbia, no último domingo (10), quando a seleção perdeu os 100% de aproveitamento ao empatar por 0 a 0. O técnico testou a movimentação de duas formações com dez jogadores de linha cada. Se mantiver essa tendência de distribuição, o time titular teria cinco alterações. Primeiro sairiam os defensores Danilo, Marquinhos e Éder Militão [que é ausência certa por conta de uma lesão na coxa direita], substituídos por Emerson Royal, Thiago Silva e Lucas Veríssimo. No gol Alisson daria lugar a Ederson. Enquanto no ataque Gabriel Barbosa perderia a vaga para Raphinha.

O jogador do Leeds, por sinal, foi um dos destaques da equipe nas duas últimas apresentações, diante de Venezuela e Colômbia. Ele tem agradado o técnico Tite, que procura pelos melhores parceiros para Neymar.

Cobrança no Uruguai

Pelo lado do Uruguai, o momento é de cobrança, já que a equipe teve atuação irreconhecível na derrota por 3 a 0 para a Argentina, também no último domingo. Atualmente, a Celeste é a quarta colocada nas Eliminatórias, posição que asseguraria a última das quatro vagas diretas do continente para a Copa de 2022. No entanto, com 16 pontos em 11 jogos, e aproveitamento abaixo de 50% na competição, as performances uruguaias não têm gerado confiança nos torcedores.

Para o duelo com o Brasil, Óscar Tabárez deve promover o retorno do astro Edinson Cavani à equipe titular, para retomar a dupla com Luis Suárez. Por outro lado, ele não contará mais uma vez com Giorgian De Arrascaeta. O jogador do Flamengo se lesionou na partida contra a Colômbia, na última quinta-feira (7).

No primeiro turno, o Brasil foi até Montevidéu e venceu o Uruguai por 2 a 0, gols de Arthur e Richarlison.

Câmara aprova valor fixo para cobrança do ICMS para combustíveis

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Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Agência Brasil – O plenário da Câmara aprovou na noite desta quarta-feira (13) um projeto de lei que estabelece um valor fixo para a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis. A proposta foi aprovada por 392 votos a favor, 71 contra e 2 abstenções. O texto segue agora para análise do Senado.

O substitutivo do relator, deputado Dr Jaziel (PL-CE), obriga estados e o Distrito Federal a especificar a alíquota cobrada do ICMS de cada produto pela unidade de medida adotada (litro, quilo ou volume) e não mais sobre o valor da mercadoria, como ocorre atualmente. A proposta torna, na prática, o ICMS invariável frente a oscilações no preço dos combustíveis e de mudanças do câmbio.

Pelas estimativas apresentadas pelo relator, as mudanças estabelecidas pelo projeto devem levar a uma redução do preço final praticado ao consumidor de, em média, 8% para a gasolina comum, 7% para o etanol hidratado e 3,7% para o diesel B. “A medida colaborará para a simplificação do modelo de exigência do imposto, bem como para uma maior estabilidade nos preços desses produtos”, disse o parlamentar.

Covid-19: o que se sabe sobre a segurança da vacinação em adolescentes?

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Na quinta-feira (16/9), o Ministério da Saúde publicou um documento que está causando bastante polêmica: a portaria voltou atrás na decisão de vacinar todos os adolescentes contra a covid-19 a partir de 15 de setembro.

A proposta agora é oferecer as doses apenas a indivíduos de 12 a 17 anos que tenham deficiência permanente, comorbidades ou estejam privados de liberdade.

O único imunizante aprovado para essa faixa etária no Brasil é a Comirnaty, de Pfizer e BioNTech.

Além de afirmar que a doença costuma ser benigna e sem maiores complicações nessa faixa etária, os representantes do Governo Federal também chamaram a atenção para um possível efeito colateral da vacina da Pfizer: a miocardite, um tipo de inflamação no músculo cardíaco.

A decisão do ministério já teve efeitos práticos: alguns Estados, como Amapá, Minas Gerais e Paraná, suspenderam a vacinação de adolescentes. Outros, como São Paulo, Bahia e Espírito Santo, ignoraram a nova recomendação.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)  soltou um comunicado  dizendo que não há motivos para mudar qualquer recomendação de uso da vacina da Pfizer nos adolescentes.

Até o momento, pelo menos três associações que reúnem médicos especialistas na área também divulgaram notas e posicionamentos criticando a nova portaria do Ministério da Saúde: a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) reforçaram que a vacina da Pfizer foi aprovada para uso no país com base em dados que comprovam sua segurança e eficácia para adolescentes.

Mas o que motivou a mudança de postura do Ministério da Saúde? E o que efetivamente se sabe sobre a aplicação dos imunizantes que protegem contra a covid-19 nos mais jovens?

As evidências para a aprovação

Como mencionamos lá no início da reportagem, por ora, a única vacina autorizada no Brasil para indivíduos de 12 a 17 anos é a Comirnaty, desenvolvida pelas farmacêuticas Pfizer e BioNTech.

A aprovação, concedida no dia 12 de junho, teve como base um estudo que reuniu 1.972 adolescentes, em que foi detectada uma taxa de eficácia de 100%.

Vale adiantar que, nesta mesma pesquisa, já foram observados casos de miocardite após a vacinação.

Segundo os cálculos (os mesmos usados pelo Ministério da Saúde), foram 16 indivíduos acometidos a cada 1 milhão de vacinados.

No trabalho, a maioria das inflamações cardíacas foi leve, e os acometidos se recuperaram após um tempo curto de tratamento e repouso. Também não foi observado nenhum infarto decorrente dessa complicação.

Com o sinal verde da Anvisa, várias cidades brasileiras anunciaram novos calendários e passaram a oferecer o imunizante da Pfizer para a faixa etária que vai dos 12 aos 17 anos desde o final de agosto.

E, embora os adolescentes não estejam entre os mais afetados pela infecção com o coronavírus, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil entendem que levar essa proteção a eles é um passo natural, ainda que seja mais urgente e prioritário garantir a segunda dose aos adultos e dar uma terceira nos grupos vulneráveis.

O pediatra Renato Kfouri, diretor da SBIm, destaca que, mesmo entre pessoas com menos de 18 anos, é preciso criar critérios e dar prioridade a alguns perfis.

“Os jovens com fatores de risco para covid-19, como doenças cardíacas, diabetes e as gestantes já deveriam, inclusive, estar vacinados há algum tempo”, diz.

A nova portaria do Ministério da Saúde diz, inclusive, que a vacinação contra a covid-19 só deve contemplar justamente os adolescentes com comorbidades ou aqueles que tenham deficiência permanente ou estejam privados de liberdade.

Na sequência, “o caminho natural”, avalia Kfouri, seria oferecer as doses aos demais adolescentes, o que deve ser restringido nas próximas semanas, se a decisão do ministério for mantida.

Como surgem os efeitos colaterais?

 De acordo com o site do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos , os sintomas mais comuns que aparecem nos adolescentes após a vacina são dor e vermelhidão no braço, cansaço, dor de cabeça, calafrios, febre e náuseas.

Nem todas as pessoas sentem os incômodos — e, mesmo naquelas que apresentam esses efeitos colaterais, o quadro costuma ser leve e dura poucos dias, de acordo com a entidade americana.

Caso essas manifestações persistam, vale consultar um médico para uma avaliação personalizada e aprofundada.

Mas o fato que tem preocupado muitos pais, ainda mais depois da portaria do Ministério da Saúde, é o risco de miocardite ou pericardite, que são tipos de inflamação que acometem o coração.

Em alguns lugares do mundo, foi observado um aumento na frequência dessa condição entre os mais jovens após o início da vacinação.

“Mas é importante ressaltar mais uma vez que esses casos de inflamação são raríssimos e, a maioria dos casos foi leve e se resolvem rapidamente”, esclarece a médica Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas, organização que trabalha com políticas públicas de imunização em vários países do mundo.

 Segundo dados publicados no periódico científico Nature , foram detectados 67 casos de miocardite a cada milhão de meninos de 12 a 17 anos vacinados com a segunda dose. Em meninas, essa taxa ficou em 9 casos por milhão de imunizadas.

No documento divulgado pelo Ministério da Saúde, o cálculo fala numa frequência da complicação ainda menor: de acordo com as estimativas que foram levadas em conta pelos técnicos do Governo Federal, seriam 16 casos de miocardite a cada 1 milhão de indivíduos imunizados com as duas doses.

As autoridades ainda estão estudando se esse problema cardíaco é realmente causado pelos imunizantes ou se uma coisa não tem nada a ver com a outra, diz Garrett.

Ainda de acordo com a especialista, também não se sabe porque homens são mais afetados do que as mulheres.

Mesmo diante dessas investigações, os especialistas garantem que não há motivos para pânico ou para não aplicar as doses nos mais jovens.

Como destaca o próprio site do CDC americano, as vacinas são seguras e eficazes nessa faixa etária e “seus potenciais benefícios superam, de longe, qualquer efeito colateral”.

Em outras palavras, o risco de ter covid-19 e sofrer com suas complicações é bem maior do que a probabilidade de desenvolver uma inflamação cardíaca, mesmo entre os adolescentes.

E ainda há outro detalhe a ser considerado nessa história: a própria infecção pelo coronavírus também aumenta a probabilidade de ter uma miocardite.

 De acordo com um trabalho feito pela Universidade Case Western Reserve, nos Estados Unidos , o risco de jovens sofrerem com uma inflamação cardíaca pela covid-19 é seis vezes maior do que pela vacina.

Vale destacar que essa pesquisa ainda está em pré-print e não foi avaliada por outros especialistas independentes.

O que acontece no Brasil?

Um segundo fator que pode ter influenciado na decisão do Ministério da Saúde foi  a divulgação de um caso de uma adolescente de 16 anos  que mora em São Bernardo do Campo, em São Paulo, e morreu após ser vacinada.

Mas a Anvisa pede muita cautela com essa notícia: não foi estabelecida uma relação causal entre as duas coisas. Em outras palavras, não é possível dizer que a morte foi provocada pelo imunizante e as autoridades estão investigando o que aconteceu efetivamente.

“A Agência já iniciou a avaliação e a comunicação com outras autoridades públicas e adotará todas as ações necessárias para a rápida conclusão da investigação. Entretanto, com os dados disponíveis até o momento, não existem evidências que subsidiem ou demandem alterações nas condições aprovadas para a vacina”, informa a Anvisa, em seu site oficial.

Vale destacar que esse trabalho de investigação é rotineiro e faz parte das atribuições das secretarias municipais e estaduais, além da própria Anvisa: se uma pessoa apresenta uma reação adversa após a vacinação, como a tal da miocardite, por exemplo, o problema precisa ser notificado e avaliado pelos especialistas.

“A Agência ressalta que todas as vacinas autorizadas e distribuídas no Brasil estão sendo monitoradas continuamente pela vigilância diária das notificações de suspeitas de eventos adversos”, continua a nota.

“Os dados gerados pelo avanço do processo vacinal em larga escala são cuidadosamente analisados em conjunto com outras autoridades de saúde. Até o momento, os achados apontam para a manutenção da relação benefício versus risco para todas as vacinas, ou seja, os benefícios da vacinação excedem significativamente os seus potenciais riscos”, finalizam os representantes da Anvisa.

O que diz o Governo Federal

Logo após a publicação da portaria, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga,  deu algumas declarações sobre a questão .

De acordo com seu relato, foram vacinados 3,5 milhões de adolescentes e identificados cerca de 1,5 mil eventos adversos nesse público. Todos os casos foram considerados leves.

Queiroga também criticou as políticas de algumas cidades, que já haviam iniciado a imunização dos mais jovens em agosto, quando a orientação anterior do ministério era que esse público só começasse a receber as doses a partir de 15 de setembro.

“O Ministério da Saúde pode rever a sua posição, desde que haja evidências científicas sólidas em relação à vacinação em adolescentes sem comorbidades. Por enquanto, por uma questão de cautela, nós temos eventos adversos a serem investigados”, afirmou o ministro, durante uma coletiva de imprensa na quinta-feira (16/9).

O que dizem as entidades

Após a mudança de planos do Ministério da Saúde, diversas entidades que reúnem especialistas publicaram pareceres sobre o assunto.

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)  divulgou um comunicado  em que discorda da nova política do Governo Federal e informa que “as justificativas apresentadas não são claras ou não têm sustentação”.

Um argumento do Ministério da Saúde que a SBIm rebate é o suposto fato de a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomendar a imunização de crianças e adolescentes contra a covid-19.

“A OMS não é contrária à vacinação de adolescentes ‘com ou sem comorbidades’. De acordo com o Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (SAGE, na sigla em inglês) da entidade, as vacinas de mRNA — caso da Pfizer/BionTech — são adequadas para o uso em pessoas acima de 12 anos”, aponta a SBIm.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)  também se manifestou  e disse que “decisões unilaterais não contribuem para a construção de um programa de imunização de sucesso, sendo a confiança um dos principais pilares das ações de vacinação”.

Já a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai)  chamou a atenção para o fato de a vacina da Pfizer ter aprovação da Anvisa para ser usada em adolescentes :

“O registro sanitário de um produto imunobiológico é a demonstração documentada de sua segurança, eficácia e qualidade. Portanto, antes da concessão do registro sanitário, é realizada avaliação criteriosa de um conjunto de documentos relacionados a estudos clínicos e de estabilidade, processos e procedimentos de fabricação e controle de qualidade, modelo de bula e rotulagem, além da verificação do cumprimento das boas práticas de fabricação”, afirma a entidade.

Por fim, os conselhos municipais e estaduais de secretários da Saúde, o Conasems e o Conass, respectivamente, declararam que a decisão foi tomada “sem respaldo científico”.

“Enquanto executores desta importante política pública, Conass e Conasems, baseados nos atuais conhecimentos científicos, defendem a continuidade da vacinação para a devida proteção da população jovem, sem desconsiderar a necessidade de priorizar neste momento dentre os adolescentes, aqueles com comorbidade, deficiência permanente e em situação de vulnerabilidade”, defendem as entidades.

O que diz a Pfizer

A responsável pela vacina também se manifestou sobre a questão.

Em nota divulgada à imprensa, a farmacêutica diz estar “ciente de relatos raros de miocardite e pericardite, além de outros possíveis eventos adversos, após a aplicação da vacina” e que “leva o acompanhamento e monitoramento desses casos muito a sério”.

A empresa também afirma estar investigando o caso da adolescente que morreu após ser vacinada.

“Especificamente sobre o caso de óbito em São Bernardo do Campo, a companhia está acompanhando, mas, até o momento, não foi estabelecida uma relação causal entre o ocorrido e o imunizante da Pfizer”.

A farmacêutica conclui dizendo que “a definição da utilização e da disponibilização da vacina no Brasil é feita com base em critérios de recomendação do Programa Nacional de Imunizações (PNI)” e que o produto está autorizado “pelas agências regulatórias de saúde dos Estados Unidos e da União Europeia, além de países como Reino Unido, canadá, Chile, Uruguai, Israel, Dubai, Hong Kong, Filipinas, Cingapura e Japão”.

Pontos a favor da vacinação dos jovens

Para Garrett, existem pelo menos quatro motivos principais que justificam a imunização da turma de 12 a 17 anos.

“Em primeiro lugar, por mais que a gente saiba que as crianças com covid-19 evoluam muito melhor e se recuperem, temos algumas que ficam muito doentes e acabam hospitalizadas”, pontua a especialista, que destaca o aumento de casos e internações pela doença entre os mais jovens nos últimos meses.

Segundo ponto: a história desse coronavírus ainda está sendo escrita e não se sabe tudo sobre ele e as possíveis repercussões futuras à saúde.

Os quadros de covid longa, por exemplo, ainda são um grande mistério e a medicina não tem ideia de quanto tempo eles podem durar ou como vão evoluir pelos próximos anos.

Terceiro, por mais que crianças e adolescentes tenham quadros menos severos de covid-19, eles podem transmitir o vírus para contatos próximos.

A vacinação, portanto, ajudaria a bloquear um pouco essa transmissão comunitária do coronavírus.

“Por fim, uma última razão em prol do argumento de vacinar os mais jovens é manter as escolas abertas. Nós precisamos fazer de tudo para que esse ambiente seja seguro e a educação seja retomada”, completa a médica.

Pontos contra

Apesar de a imunização das idades mais tenras fazer sentido e parecer um caminho natural, os especialistas também entendem que há alguns fatores que desencorajam esse avanço no momento atual (que não tem nada a ver com os eventos adversos, diga-se).

O primeiro deles é uma eventual falta de estoque para cobrir outras demandas mais urgentes, como a garantia da segunda dose de toda a população adulta e a terceira dose nos grupos mais vulneráveis, como idosos e imunossuprimidos (portadores de HIV, recém-transplantados, pacientes em tratamento de câncer, entre outros).

“Não há dúvida de que a nossa meta com a vacinação agora é reduzir os casos graves, as hospitalizações e as mortes. A proteção de adolescentes deve acontecer se tivermos vacinas suficientes para cumprir os demais objetivos”, entende Kfouri.

Garrett concorda e reforça que a palavra de ordem é priorização. “Como não temos um quantitativo suficiente para cobrir toda a população, precisamos pensar em estratégias capazes de resguardar aqueles que são mais vulneráveis à covid-19”, diz.

O segundo argumento que pesa contra a vacinação de adolescentes tem um componente moral e ético: será que é justo os países mais ricos vacinarem os cidadãos mais jovens enquanto profissionais da saúde e idosos das nações mais pobres sequer receberam suas doses?

Em maio, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou a dizer que os lugares mais desenvolvidos estão protegendo suas crianças “às custas dos grupos de alto risco de outros locais”.

Nesse caso, assim como aconteceu com os apelos contrários à aplicação de uma terceira dose e à adoção dos passaportes da imunidade, o posicionamento da OMS e de outras instituições internacionais pouco influenciou a decisão dos países mais ricos sobre a condução das campanhas nacionais de vacinação contra covid-19.

Comida, gasolina, conta de luz: por que está tudo tão caro no Brasil?

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Comida, gasolina, a conta de luz. Tudo está mais caro no Brasil.

Em agosto, mais uma vez, a inflação oficial do país veio acima do esperado. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, medido pelo IBGE, acelerou para 9,68% no acumulado em 12 meses, levando  a uma onda de revisões entre os economistas .

Nesta segunda-feira (13/9), o Boletim Focus do Banco Central, que colhe estimativas entre dezenas de consultorias e instituições financeiras, registrou a 23ª alta consecutiva da mediana das projeções para o IPCA no fim de 2021, que agora está em 8%.

O aumento generalizado de preços é um produto de diferentes causas, muitas delas combinadas. A BBC News Brasil explora algumas por meio da trajetória dos três elementos que mais têm empurrado a inflação para cima nos últimos meses: combustíveis, alimentos e energia elétrica.

O efeito cascata da gasolina

O preço médio da gasolina comum no país chegou a R$ 6 na semana até 11 de setembro, conforme os dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O preço máximo, ainda de acordo com a base, passa de R$ 7 em alguns locais.

O preço dos combustíveis no Brasil segue o comportamento dos preços lá fora. Desde 2016, a Petrobras se orienta pelo Preço de Paridade Internacional (PPI), que leva em consideração a cotação do barril de petróleo e o câmbio. Assim, esses dois fatores explicam boa parte do aumento dos combustíveis nos últimos meses.

O preço do barril de petróleo vem em uma sequência de alta forte desde o início deste ano. De um lado, por conta da maior demanda, depois da abertura de muitos países que começaram a vacinar contra a covid. De outro, por conta da própria dinâmica da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep).

Ela concentra cerca de 40% da produção global da commodity e às vezes segura os estoques para valorizar o barril. Em julho, a organização comunicou que voltaria a ampliar gradativamente a oferta, dado o crescimento expressivo dos preços neste ano.

Como a cotação é feita na moeda americana, o dólar também tem impacto direto — e o real segue perdendo valor.

De forma resumida, a forte desvalorização do real é reflexo de fatores externos, como a expectativa de crescimento dos Estados Unidos e de aumento dos juros no país, mas também da forte instabilidade interna que o Brasil atravessa.

Os conflitos do presidente Jair Bolsonaro com os demais poderes e a antecipação do debate sobre as eleições de 2022 têm contribuído para construir um ambiente de incerteza que afasta investidores, que preferem levar seus dólares para mercados mais seguros.

De volta aos combustíveis, o impacto do aumento vai bem além de quem precisa encher o tanque. O efeito cascata pressiona custos como o do transporte público e do frete, com reflexo sobre os preços de uma miríade de produtos.

Conta salgada também no supermercado

Inclusive nos preços dos alimentos, que também vêm numa trajetória de alta há meses.

Neste caso, mais uma vez o dólar influencia, e com um duplo efeito. Como as commodities agrícolas — milho, açúcar, carne, café, trigo, laranja — são cotadas em dólar, sempre que ele sobe, o preço delas em real tende a subir também.

Em paralelo, o dólar alto incentiva o produtor a exportar em vez de vender para o mercado interno. Isso reduz a oferta doméstica e também ajuda a empurrar os preços para cima.

Aos dois fatores se soma um outro que tem contribuído para diminuir a disponibilidade interna de alimentos: a seca histórica que afetou o Sudeste e o Centro-Oeste.

O milho e a soja, por exemplo, têm uma espécie de efeito cadeia. Eles são matéria-prima para a ração usada na indústria de aves, suínos e bovinos — ou seja, também pressionam o preço das carnes.

O açúcar, por sua vez, é matéria-prima para a produção do etanol — que também é usado na composição da gasolina vendida nos postos.

Mais cara e mais escassa

Para além dos alimentos, a seca também ajuda a explicar o aumento da energia elétrica. Com a redução dos níveis dos reservatórios em hidrelétricas importantes neste ano, foi preciso acionar usinas termelétricas, movidas a gás natural, óleo diesel, biomassa e carvão, para compensar a redução da oferta pelas hidrelétricas e, mais recentemente, importar energia de vizinhos como Argentina e Uruguai.

A energia termelétrica não é apenas mais poluente, é também mais cara, daí a razão porque a conta de energia tem vindo com um adicional, a bandeira escassez hídrica, anunciada pelo governo no último dia 31 de agosto.

Até então, o maior valor previsto pelo sistema de bandeiras tarifárias era a bandeira vermelha patamar 2, que estava vigente. A bandeira escassez hídrica vai ser cobrada pelo menos até abril do próximo ano, adicionando R$ 14,20 às contas de luz a cada 100kW/h consumidos. O valor é cerca de 49% maior que o da bandeira vermelha patamar 2, que previa pagamento extra de R$ 9,49 a cada 100kW/h.

Em paralelo, a situação crítica dos reservatórios acendeu um  debate sobre os riscos de apagão e de racionamento  — e a demora do governo para reagir.

Desde maio, quando o cenário de restrição de chuvas começou a ficar mais claro, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, tem repetido que não existe possibilidade de apagões e racionamento no país. No fim de agosto, quando anunciou a bandeira mais cara, o governo lançou um programa para redução voluntária do consumo de energia.

Dias antes, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informara que, a partir de outubro, a geração seria insuficiente para fazer frente à demanda, sendo necessário aumentar o nível de importação e acionamento de térmicas para evitar apagões.

Mais inflação, menos crescimento

Ao contrário de outros ciclos inflacionários pelos quais o Brasil passou, este não é puxado por uma alta da demanda por parte dos brasileiros, mas por choques do lado da oferta — a seca, o dólar, o petróleo, etc.

De forma geral, os choques causam um aumento de preços temporário e se dissipam. Desta vez, contudo, eles têm sido persistentes e vêm contaminando outros preços, como observou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves. Em relatório enviado a clientes, ele avalia que a inflação, que até o início da pandemia vinha em uma trajetória benigna, “mudou de patamar”.

Como resultado, o Banco Central vem apertando cada vez mais os juros. A Selic mais alta eleva o custo do crédito e contribui para reduzir ainda mais a demanda e desacelerar a economia.

É por isso que, em paralelo às revisões das estimativas para a inflação,  os economistas também estão revendo para baixo suas previsões para o PIB  (Produto Interno Bruto) de 2022. Entre as casas que reduziram as projeções nesta semana estão J.P.Morgan, de 1,5% para 0,9%; Itaú, de 1,5% para 0,5% e XP, de 1,7% para 1,3%.

Economia em 2022: por que expectativas para o Brasil estão piorando rapidamente

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Na terça-feira (14/9), o banco Itaú reduziu sua expectativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no próximo ano de 1,5% para 0,5%. O maior banco privado do país também passou a prever aumento do desemprego no próximo ano, com a taxa de desocupação subindo de 12,1% ao fim de 2021, para 12,5% em dezembro de 2022.

Além do Itaú, diversas outras instituições financeiras e casas de análise passaram a prever PIB menor, inflação mais alta e juros também mais elevados no cenário próximo.

O crescimento do PIB e a situação do mercado de trabalho e da renda no próximo ano geram grande expectativa, pois são fatores determinantes no bem estar da população e no desenrolar de eleições em que o atual presidente tenta a recondução ao cargo.

Entenda os seis principais fatores que têm feito os analistas reduzirem suas expectativas para o desempenho da economia no próximo ano:

1) Inflação maior e juros em alta

O principal fator citado pelos analistas para a revisão nas expectativas para o PIB em 2022 é o fato de que a inflação no próximo ano deve ficar acima do que era esperado antes.

Com isso, o Banco Central vai ter de subir mais os juros, o que tem efeito negativo sobre o consumo das famílias e o investimento das empresas.

“Revisamos nossa expectativa de inflação de 2021 para 8,4%, de 7,3% no início do mês”, escrevem os economistas da XP Investimentos em relatório desta terça-feira. “A revisão ocorreu devido à piora da crise hídrica, ao IPCA de agosto bem acima do esperado e à inflação no atacado sugerindo que ainda há pressão de custos no curto prazo.”

Em agosto, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) teve alta de 0,87%, bem acima do esperado pelos analistas e maior aumento para o mês em 21 anos. Com isso, a taxa acumulada em 12 meses chegou a 9,68%. O aumento foi puxado pelo preço dos combustíveis e dos alimentos e levou diversos economistas a preverem uma inflação maior para este e o próximo ano.

No boletim Focus — levantamento semanal de expectativas do mercado colhidas pelo Banco Central — a projeção para o IPCA em 2021 passou de 7,58% na semana passada, para 8% essa semana. Para 2022, a previsão foi de 3,98% para 4,10%.

A meta de inflação para este ano é de 3,75% e a de 2022, de 3,50%, conforme determinado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Logo, as estimativas dos analistas sugerem que a inflação deve ficar acima da meta por dois anos seguidos.

E ainda há outros riscos negativos, como o agravamento da crise hídrica e da situação das contas do governo, que podem piorar ainda mais o quadro inflacionário à frente.

“Nesse contexto, acreditamos que o Copom (Comitê de Política Monetária) ainda não enxergará condições para indicar redução do ritmo de elevação da taxa Selic”, escrevem os economistas do Itaú, em relatório, prevendo que a taxa básica de juros chegue a 9% ao ano em 2022, de volta a patamar que não era visto desde 2017. Atualmente, a Selic está em 5,25% e ela chegou a 2% no ponto mais baixo.

2) Menor crescimento da renda

Um segundo fator citado pelos economistas para a deterioração das expectativas para o próximo ano é o crescimento modesto esperado para a massa de renda — que é a soma de todos os rendimentos das população.

“Reduzimos nossa projeção de crescimento do PIB no próximo ano, de 1,7% para 1,3%, escreve a equipe da XP Investimentos.

Segundo os economistas da casa, além dos efeitos mais contracionistas da política monetária (isto é, a alta dos juros) o cenário incorpora “crescimento modesto da massa de renda ampliada disponível às famílias”, com alta em torno de 1,5%, descontada a inflação, devido principalmente ao fim do auxílio emergencial, que não deve ser compensado pelo emprego e o aumento esperado do Bolsa Família.

A trajetória de aumento do desemprego prevista pelo Itaú também não sugere perspectiva muito alentadora para o desempenho da massa de renda.

“A taxa média de desemprego voltará ao nível pré-pandemia somente em 2023, e o nível de equilíbrio (pouco superior à 10%) deve ser atingido somente em 2025”, faz coro a MCM Consultores sobre as perspectivas pouco alentadoras para renda e mercado de trabalho à frente.

3) Esgotamento do efeito da retomada dos serviços

Um terceiro fator citado pelos economistas é que o impulso gerado pela reabertura da economia este ano — particularmente no setor de serviços —, após período de maior distanciamento social provocado pela pandemia, deve perder força no ano que vem.

“A atividade econômica não se beneficiará mais do impulso advindo da reabertura do setor de serviços, algo que, na nossa visão, ficará restrito ao segundo semestre deste ano”, diz o Itaú

O pessimismo no médio prazo é compartilhado por outros analistas.

“Esperamos que alguns dos segmentos de serviços ainda impactados pela covid (em particular serviços prestados às famílias) se recuperem nos próximos meses, em conjunto com o progresso no programa de vacinação contra a covid, reabertura da economia e estímulo fiscal renovado”, escreve Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, em relatório.

“No entanto, a aceleração da inflação, o aumento das taxas de juros, o aumento do ruído e da incerteza política, e a interrupção da tendência de alta na confiança do consumidor e dos empresários podem limitar esse desempenho positivo”, diz Ramos.

Já a XP Investimentos alerta que “o desemprego elevado e o baixo crescimento da massa real da renda limitam a demanda por serviços em 2022”.

4) Desaceleração global

Um quarto fator citado pelos analistas é a expectativa de perda de ímpeto da economia global, o que impacta a demanda e o preço das commodities exportadas pelo Brasil.

O crescimento orquestrado das economias este ano foi impulsionado pela reabertura das cidades, avanço da vacinação e manutenção dos estímulos monetários por boa parte dos Bancos Centrais das economias maduras. No ano que vem, esses fatores se dissipam.

“Os preços das commodities devem se acomodar, em especial das commodities metálicas, uma vez que o crescimento da atividade econômica mundial desacelere”, diz a MCM Consultores, que prevê um superávit recorde de US$ 76,6 bilhões para a balança comercial brasileira em 2021, que deve desacelerar a US$ 74,1 bilhões em 2022, nas contas da consultoria. O superávit é a diferença positiva entre o valor exportado e o importado pelo país.

Essa também é a visão do Itaú: “Vemos desaceleração do setor industrial global e queda de preços de commodities ano que vem.”

E da XP: “Para frente, vemos as economias brasileira e mundial desacelerando, a taxa de câmbio e os preços das commodities mais estáveis, a taxa de desemprego ainda elevada.”

5) Piora da crise hídrica e possível racionamento de energia

Na piora das expectativas dos economistas, também está na conta o  agravamento da crise hidroenergética  e o crescente risco de racionamento em 2022.

“Como se não bastasse o risco fiscal, a crise hídrica segue pressionando custos de produção, aumentando a inflação e reduzindo as perspectivas de crescimento econômico”, escreve a equipe da XP.

A consultoria de investimentos revisou sua projeção de PIB para 2022 de 1,7% para 1,3%, mas avalia que o baixo nível dos reservatórios é o principal fator de risco para essa estimativa.

“Nosso cenário considera os efeitos da crise hídrica e aumento do custo da energia elétrica sobre os níveis de produção e consumo, mas sem racionamento propriamente dito (redução compulsória)”, alertam os economistas.

No início do mês, a XP revisou suas projeções para a possibilidade de racionamento nos próximos 12 meses para 17,2%, enquanto o Itaú dobrou seu índice de probabilidade, para 10% em 2022.

“A situação hídrica gera pressão adicional sobre a inflação corrente, via aumento das contas de luz, e também sobre a dinâmica de preços do ano que vem, através da inércia resultante de um IPCA mais elevado e do risco de novas medidas que visem à redução do consumo de eletricidade”, disse o Itaú nesta terça-feira.

6) Eleições conturbadas

Por fim, pesa no pessimismo dos economistas para o próximo ano a certeza de eleições polarizadas e bastante conturbadas.

“O apaziguamento das turbulências políticas deveria interessar sobretudo ao presidente Jair Bolsonaro. Afinal a sua reeleição depende fundamentalmente da melhora da economia”, observam os economistas da MCM Consultores.

“Se a crise político-institucional continuar a escalar a recuperação econômica perderá fôlego. O ambiente agitado também atrapalha as costuras para a solução de problemas político fiscais, como o pagamento dos precatórios e a criação do programa Auxílio Brasil”, diz a consultoria, sobre a ameaça ao programa que visa turbinar o Bolsa Família de olho na reeleição.

A consultoria cortou sua projeção para o PIB do próximo ano de 2,1% para 1,4%.

“A principal razão é a perspectiva de agravamento progressivo do quadro político-institucional-fiscal e de incertezas. Um dos fatores mais importantes é a eleição presidencial polarizada e muito provavelmente recheada de propostas populistas de ambos os lados.”

Horário de verão: as vantagens e desvantagens da polêmica mudança do relógio

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O horário de verão voltou ao debate nesta semana, após o Ministério de Minas e Energia (MME) pedir ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) — órgão responsável pela coordenação e operação do sistema elétrico brasileiro — um novo estudo sobre a medida, diante da “atual conjuntura de escassez hídrica”.

A notícia sobre o novo estudo gerou especulações sobre uma possível volta do horário especial. Mas o ministro Bento Albuquerque reafirmou que a avaliação da pasta é de que “não há necessidade do retorno do horário de verão em 2021”.

“A contribuição do horário de verão é limitada, tendo em vista que, nos últimos anos, houve mudanças no hábito de consumo de energia da população, deslocando o maior consumo diário de energia para o período diurno”, disse Albuquerque, em nota à Folha de S. Paulo.

“Assim, no momento, o MME não identificou que a aplicação do horário de verão traga benefícios para redução da demanda”, completou o ministro.

História do horário de verão

O horário de verão foi instituído pela primeira vez no Brasil em 1931, durante o governo de Getúlio Vargas. À época, dizia o Diário de Noticias: “a prática dessa medida, já universal, traz grandes benefícios ao público, em consequência da natural economia de luz artificial”.

A medida foi repetida em anos seguintes, sem regularidade. A partir de 1985 – ano que foi marcado por uma seca histórica, que resultou em blecautes e racionamento de água -, o horário diferenciado passou a ser adotado anualmente, com duração e abrangência territorial definidas por decretos presidenciais.

Em 2008, um decreto tornou o horário de verão permanente, vigorando do terceiro domingo de outubro até o terceiro domingo de fevereiro do ano seguinte. Até que, em abril de 2019, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também por decreto extinguiu a medida.

“O horário de pico hoje é às 15 horas e [o horário de verão] não economizava mais energia. Na saúde, mesmo sendo só uma hora, mexia com o relógio biológico das pessoas”, argumentou Bolsonaro, à época.

País divididoReservatório do Cantareira

Com baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, há o receio 
de que isso afete a geração de energia

Este ano, o tema voltou ao debate devido à crise hidroenergética e à pressão de empresários que, afetados pela pandemia, veem na volta do horário especial a oportunidade de vender um pouco mais diante da permanência maior do brasileiro nas ruas com a hora a mais de luz natural. Mas o tema está longe de ser consenso.

Pesquisa feita pelo instituto PoderData, ligado ao portal de notícias Poder360, realizada em julho, mostrou que 50% da população não quer a volta do horário de verão no Brasil, enquanto 46% querem o retorno da medida e 4% dizem que não sabem.

Segundo a mesma pesquisa, a opinião sobre o horário de verão varia de acordo com a preferência política dos entrevistados.

Entre aqueles que avaliavam o presidente Jair Bolsonaro como “ótimo” ou “bom”, 69% não queriam a volta do horário de verão, 29% eram favoráveis e 2% não sabiam. Já entre os que avaliavam o presidente como “ruim” ou “péssimo”, 57% eram favoráveis à volta do horário de verão, 40% contrários e 3% não sabiam.

Foram 2,5 mil entrevistas, em 427 municípios, nas 27 unidades da Federação, e margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Mas quais são as vantagens e as desvantagens da mudança de horário? Listamos alguns dos argumentos citados pelos dois lados desse Brasil dividido.

VANTAGENS

Economia de energia

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, foi à televisão em 31 de agosto dizer aos brasileiros, em rede nacional, que a seca que o Brasil tem enfrentado é a pior da história e que a condição hidroenergética do país se agravou.

Diante do baixo nível dos reservatórios hidrelétricos, o ministro pediu a colaboração da população para redução do consumo de energia, sugerindo entre as medidas a serem adotadas um maior aproveitamento da luz natural.

O maior aproveitamento da luz natural é justamente o objetivo do horário de verão, extinto por Bolsonaro em 2019.

Com o adiantamento dos relógios em uma hora, as regiões que adotam o horário especial ganham uma hora adicional de luminosidade no fim da tarde, adiando o acionamento de lâmpadas e de eletrodomésticos na volta para casa depois do trabalho. Historicamente, a economia era de cerca de 4% a 5% da demanda no horário de pico.

O governo argumenta, porém, com base em dados do ONS, que o pico de demanda no verão mudou ao longo dos anos do fim da tarde, para o meio dela, devido ao acionamento dos aparelhos de ar condicionado nas empresas.

Os especialistas do setor elétrico que defendem a volta do horário de verão, no entanto, argumentam que, diante da gravidade da crise atual, qualquer economia de energia, mesmo que menor do que a histórica, é bem-vinda.

“Há dois anos, o equilíbrio entre oferta e demanda de energia estava tranquilo, então uma economia de 2% a 3% do consumo não era tão imprescindível”, disse o professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétrico), Nivalde de Castro, à BBC News Brasil, em julho deste ano.

“Mas, atualmente, estamos enfrentando problemas para atender a demanda de energia elétrica justamente na hora em que escurece”, afirma o especialista. “Diante da crise hidrológica deste ano, o horário de verão faz todo sentido, porque ele evita um consumo a mais, do que numa situação em que não haja horário de verão.”

Mais vendas no varejo e nos bares

Uma segunda vantagem do horário de verão é o estímulo às vendas do comércio e dos bares, resultado da hora a mais de luminosidade.

“O nosso setor, mesmo de portas abertas, tem 77% das empresas ainda operando com prejuízo. Então, na nossa visão, qualquer real que entre a mais vai ser muito importante, e o horário de verão sempre trouxe esse faturamento adicional na primeira hora da noite”, disse Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

“A gente chega às vezes até a dobrar o que se fatura entre às 18h e às 20h com horário de verão. E isso também vale para o pessoal do turismo, como parques, porque estica o dia.”

A Abrasel puxou, ao lado da CNTur (Confederação Nacional de Turismo), um movimento iniciado em junho pela volta do horário de verão. Em setembro, o varejo também aderiu, com o apoio de entidades como CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), Unecs (União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços), Abras (Associação Brasileira de Supermercados) e Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers).

Segurança nas ruas

Um terceiro argumento em favor do horário de verão é a segurança.

“A evidência empírica sugere que uma hora a mais de luminosidade reduz homicídios, roubos e acidentes de trânsito”, disse Claudio Frischtak, sócio da consultoria Inter.B e especialista em infraestrutura, que publicou em 2019 um artigo sobre o tema em coautoria com os pesquisadores Miguel Foguel e Renata Canini.

Estudo de 2016, realizado por pesquisadores da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), por exemplo, analisou dados de ocorrência de acidentes rodoviários entre 2007 e 2013. Segundo o estudo, nos Estados em que o horário de verão era adotado, houve redução de 10% dos acidentes em rodovias federais.

“Os testes revelaram que a realocação do horário de atuação da luminosidade durante o dia contribui consideravelmente na redução de acidentes em rodovias federais”, concluíram os pesquisadores. “Os testes apresentaram evidências de que o impacto de transição para o horário de verão afeta o comportamento de direção dos motoristas em rodovias federais, principalmente ao entardecer.”

Exercícios físicos e uso do espaço público

Por fim, um último argumento daqueles que defendem o horário de verão é a possiblidade fazer exercícios físicos ao fim da tarde e melhor aproveitar o espaço público.

O argumento foi usado até por Luciano Hang, dono das lojas Havan e bolsonarista de primeira hora. “Com o dia mais longo, as pessoas vivem melhor, vão às praias, praticam exercícios e têm mais qualidade de vida”, disse Hang, que aderiu ao movimento de empresários pela volta do horário de verão.

DESVANTAGENS

Dificuldade de adaptação

O principal argumento dos contrários à volta do horário de verão é que a adaptação é difícil e a mudança mexe com o relógio biológico.

Um estudo de pesquisadores brasileiros publicado em 2017 na revista Annals of Human Biology, com mais de 12 mil participantes, mostrou que menos da metade (45,43%) diziam não sentir nenhum desconforto com a mudança de horário. E cerca de 25% diziam permanecer desconfortáveis durante todo o período de mudança de horário.

A dificuldade de adaptação tem razões biológicas: a alteração do horário mexe com a produção de hormônios como a melatonina e o cortisol, responsáveis respectivamente por dar sono e despertar o corpo.

A mudança também é mais penosa para adolescentes, que têm dificuldade de acordar cedo para aulas matinais, e para crianças pequenas, que têm necessidade de longas horas de sono e costumam ser sensíveis a mudanças de luminosidade.

Mudanças no ciclo agropecuário

Uma segunda desvantagem do horário de verão, segundo os contrários à medida, é que ele afeta o setor agropecuário.

O gado bovino, por exemplo, é sensível à mudança de horário das fazendas, que pode inclusive afetar a produtividade leiteira.

“Os bovinos são animais de hábito, todos os dias eles se alimentam num mesmo horário, são animais de rotina. Se os horários mudam repentinamente, isso causa um estresse no animal. No caso da vaca de lactação, pode inclusive diminuir o leite”, diz José Carlos Ribeiro, da Boi Saúde, consultoria especializada em saúde bovina.

Mas há quem trabalhe no campo e não se importe com a mudança.

“As empresas trocam o horário, em vez de pegar às 7h, pega às 8h para a colheita da soja, então não prejudica em nada, eu acho que é bom”, diz Antônio Rodrigues da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Sapezal (MT).

Horários diferentes Brasil afora

Uma terceira desvantagem é a maior dissincronia entre os horários Brasil afora.

O Brasil é um país tão grande que tem quatro fusos horários: o de Brasília, que abrange a totalidade das regiões Nordeste, Sudeste e Sul, além dos estados do Pará, Amapá, Tocantins, Goiás e o Distrito Federal; o de Fernando de Noronha (uma hora à frente de Brasília); o do Amazonas, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (uma hora atrás de Brasília); e o do Acre e oeste do Amazonas (duas horas atrás de Brasília).

No horário de verão, Norte e Nordeste não adotam a mudança, que não faz diferença nessas regiões devido à proximidade delas com o Equador.

Assim, no horário especial, Roraima, Rondônia e Amazonas passam a ter duas horas de diferença em relação a Brasília e o Acre, três horas.

Isso dificulta, por exemplo, a realização de eventos nacionais, a tal ponto que, em 2018, o horário de verão foi mais curto, devido às eleições. A pedido do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, o horário de verão naquele ano começou somente em novembro, para evitar atrasos na apuração dos votos e na divulgação dos resultados.

Nos 188 anos, ‘Viva Feira de Santana’ aborda cultura, personalidades e gastronomia, entre outros temas

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Cartaz destaca 188 anos de fundação de Feira de Santana

Nas comemorações dos 188 anos de Feira de Santana, duas séries de reportagens foram concebidas por Edson Borges, secretário municipal de Comunicação. Elas revelam diversos aspectos humanos, culturais e econômicos da Princesa do Sertão. As reportagens foram produzidas em vídeo pela própria equipe da Secretaria de Comunicação Social e estão sendo exibidas ao longo deste mês de setembro de 2021.

Uma delas é a série ‘Viva Feira: 188 anos’. Ao todo, sete reportagens, abordam dos seguintes temas: Turismo, Artes, Cultura Popular, Preservação da Memória Histórica, Potencial Econômico, Inovações Tecnológicas e Mulheres Feirenses. Para cada tema foram entrevistadas várias pessoas com atuação marcante na cidade, em suas respectivas áreas: artistas, empresários, economistas, gestores públicos e dirigentes sindicais. Na reportagem sobre o Potencial Econômico de Feira de Santana, o prefeito Colbert Martins Filho comenta sugestões para o desenvolvimento da cidade, apresentadas por algumas dessas pessoas.

A outra série é intitulada ‘Difeirenseados’, um neologismo que brinca com as diferenças do feirense, ou seja, a rica diversidade que pode ser vista todos os dias no cenário urbano da Princesa do Sertão. São quatro reportagens mostrando essa diversidade no comércio, na gastronomia, entre as pessoas de destaque, e nas potencialidades do município para o futuro.

Entre os entrevistados, artistas e gente do povo que tem ajudado a formar a personalidade do povo feirense, como a cozinheira Ana da Maniçoba, e os cantores Dionorina, Maryzélia, Dilma Ferreira e Roberto Kuelho.

Marca Soul Dila presenteia Feira de Santana com estampas exclusivas de pontos da cidade

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Principal entroncamento rodoviário do Norte-Nordeste brasileiro, Feira de Santana recebeu a primeira loja da Soul Dila fora da Região Metropolitana de Salvador em dezembro de 2018, no Boulevard Shopping. De lá pra cá, a cidade, principal centro urbano, econômico e comercial do interior da Bahia, tem sido um grande polo de crescimento da marca, principalmente por exercer for

te influência sobre outros municípios do estado.

“Com grande importância rodoviária, recebendo pessoas de outras cidades com frequência, Feira tem sido muito importante para a popularização da marca no interior também. São quase três anos de relação muito bacana com a cidade e de uma troca muito legal”, conta Flávio Guimarães, um dos sócios da marca, que apresentou ao longo do tempo estampas exclusivas, como a que homenageia o famoso bairro do Tomba.

A distância do mar não apagou a identificação do cidadão de Feira de Santana com a Soul Dila, que traz frequentemente linhas inspiradas na Bahia e no Nordeste, tão plurais. “Por mais que a praia seja uma constante como inspiração do que criamos, a Bahia como um todo sempre foi presente na moda produzida pela marca”, reflete Mariana Caldas, Gestora de Marketing, relembrando linhas como a “Ser-Tão Nordestino”, que valoriza a região Nordeste e o interior baiano.

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