Levantamento do IBGE aponta sexto ano consecutivo de queda nos registros de nascimento
Foto: FREEPIK/ @yanalya
A Bahia registrou, em 2024, o menor número de nascimentos das últimas cinco décadas. Foram 159.337 registros, queda de 6,6% em relação a 2023, segundo o IBGE. É o sexto ano consecutivo de redução, tendência iniciada em 2018.
O recuo atingiu quase 70% dos municípios baianos. Salvador teve queda de 9,2% a terceira maior entre as capitais e o menor índice desde 1974. Feira de Santana (-8,3%) e Vitória da Conquista (-6,3%) também se destacam.
Para a doutora em Geografia Nacelice Freitas, a baixa natalidade reflete uma mudança de longo prazo: hoje, a média é de 1,5 filho por mulher, bem abaixo dos 6,2 registrados na década de 1940. Segundo ela, o cenário traz impactos diretos na economia, com menos trabalhadores e contribuintes no futuro.
Entre os fatores estão a maior participação feminina no mercado de trabalho, a falta de creches e políticas de apoio, insegurança econômica e questões culturais, como a sobrecarga das mulheres e a ausência de corresponsabilidade paterna.
A especialista defende políticas públicas estruturantes, com investimento em educação integral, creches de qualidade, saúde pública eficiente e valorização do salário mínimo, para garantir condições reais às famílias e enfrentar o desafio da queda da natalidade.
“Eu trouxe meus filhos para viver esse momento e foi emocionante. O Desfile reforça a magia e o espírito do Natal que já está presente na nossa cidade.” Foi assim que a dona de casa Rosália Almeida resumiu a emoção vivida neste domingo durante mais um Desfile Encantado do Natal Iluminado de Senhor do Bonfim. Já a pequena Marília Oliveira, de apenas 6 anos, não escondia o brilho nos olhos: “Estava tudo muito lindo e maravilhoso”.
Foto Divulgação
Realizado pela Prefeitura de Senhor do Bonfim, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, o Desfile Encantado transformou ruas e avenidas em um verdadeiro palco de luz, arte e emoção. Idealizado pela Associação Cultural Raízes e Asas (ACRA), o espetáculo reuniu cerca de 70 artistas e encantou crianças, jovens e adultos do início ao fim do percurso, da Praça do Bosque até a Praça Nova do Congresso, que ficou completamente lotada.
O prefeito Laércio Júnior celebrou o momento ao lado da população. “Natal é isso: luz, alegria, animação e família reunida. Foi um desfile lindo, com a praça cheia, muitas crianças, carinho e emoção. O Natal Iluminado de Senhor do Bonfim é o mais bonito da Bahia. No dia 24 estarei aqui novamente, passando o Natal com o meu povo. Vamos com fé, porque a fé não costuma falhar”, afirmou.
Após o desfile, a programação seguiu na Praça Nova do Congresso com apresentações culturais da OPA e da Igreja Betânia, reforçando que o Natal Iluminado é mais que um evento: é um encontro de amor, esperança e orgulho de ser bonfinense.
A premiação dos destaques em diversas categorias foi realizada durante uma noite de gala no auditório da Seduc
Fotos: Washington Nery
O motorista de ônibus escolar Davi Lima Almeida, que incentiva estudantes à leitura de livros dentro do ônibus, foi o grande vencedor do 1º Prêmio Melhores da Educação de Feira de Santana, promovido pela Secretaria Municipal de Educação, e conquistou um prêmio de R$ 10 mil. A premiação dos destaques em diversas categorias foi realizada durante uma noite de gala no auditório da Seduc, nesta quinta-feira (18), e contou com as presenças do prefeito José Ronaldo de Carvalho e do vice-prefeito e secretário de Educação, Pablo Roberto, que coordenou a iniciativa inédita no município.
O prefeito José Ronaldo destacou a importância da iniciativa, visando revolucionar a educação pública em Feira de Santana, e agradeceu pelo empenho de todos os participantes, principalmente da Secretaria de Educação e do secretário Pablo Roberto.
Na classificação geral, com premiação em dinheiro, os vencedores do prêmio foram: em primeiro lugar, o projeto Criança Lendo no Ônibus, do motorista de ônibus Davi Lima Almeida, que levou o prêmio de R$ 10 mil; em segundo lugar, o projeto Juventude Negra, Ancestralidade e Resistência, com prêmio de R$ 7 mil para o Centro Municipal de Educação Eduardo Froes da Mota; em terceiro lugar, o projeto Lá no Quintal Tem o Sítio do Tio Eduardo, do Centro Municipal de Educação Infantil Eduardo Silva Pessoa de Miranda, com prêmio de R$ 5 mil.
O Prêmio Melhores da Educação é uma iniciativa da Prefeitura de Feira de Santana, valorizando ações que impulsionam a educação feirense. E nasce com a missão de reconhecer as boas práticas que estão revolucionando a educação na rede municipal de ensino.
A premiação foi bastante concorrida e contou com 92 projetos inscritos, refletindo o empenho de professores, dirigentes escolares, alunos, equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação e empresas parceiras para transformar a educação em Feira de Santana. Também é uma prova de que a educação pública é forte e criativa.
A premiação, apresentada pela jornalista e professora Taic Carvalho, é dividida em quatro categorias e 15 subcategorias. No final, foram três premiados, sendo o primeiro com R$ 10 mil, o segundo colocado com R$ 7 mil e o terceiro colocado com R$ 5 mil.
Na primeira categoria, Destaques dos Profissionais da Educação, a primeira subcategoria foi Gestor Destaque, com dois inscritos, sendo vencedora Karine Oliveira dos Reis, que recebeu premiação e troféu.
Na categoria Professor Anos Finais, a vencedora foi Daiane Almeida Ferreira, da Escola Eduardo Froes da Mota. Na categoria Professor Anos Iniciais Destaque, a vencedora foi o projeto Águas de Ipuaçu, da professora Iasmin da Silva Santos.
Na subcategoria Professor Educação Infantil, a vencedora foi a professora Jaciara Lima da Conceição. Já na subcategoria Sala de Recursos, a primeira colocada foi a professora Roseane de Oliveira Silva. E na categoria Professor da EJA, a vencedora foi Janemárcia Couto Brito Dantas, autora do projeto Saberes e Sabedoria.
Na categoria Escolas Parceiras da Comunidade, a vencedora foi a Escola Municipal Crispiniano Ferreira, com o projeto Meu Quilombo: Saberes e Sabores. E a vencedora da categoria Destaque em Alfabetização foi o Centro de Educação Básica da UEFS, com o projeto Cada Verso Meu.
Dando prosseguimento à premiação, na subcategoria Escola Sustentável e Criativa, a vencedora foi o Centro Municipal de Educação Infantil Eduardo Silva Pessoa de Miranda, com o projeto Lá no Quintal Tem o Sítio do Tio Eduardo.
Na terceira categoria, Estudantes em Destaque, na subcategoria Eu Fiz a Diferença na Minha Escola, o vencedor foi o projeto escrito por Vitor Nery Araújo, da Escola Municipal Ana Maria Alves dos Santos, com o tema Interclasses Fortes que Transformam o Protagonismo Estudantil.
Na subcategoria Arte e Cultura Estudantil em Destaque, o vencedor foi o projeto Olimpíadas do Conhecimento: a África Está em Nós, escrito por Ayla Grace Santos Miranda, da Escola Municipal Monteiro Lobato.
A premiação prosseguiu com a categoria Parceiros em Destaque: a Educação se Fortalece quando Caminhamos Juntos — Famílias, Instituições e Parceiros que Ampliam Nossas Possibilidades. O vencedor foi o motorista Davi Lima Almeida, que incentiva a leitura para os alunos no ônibus escolar. E na categoria Seduc em Ação.
Durante o evento, também estiveram presentes os secretários de Comunicação, Joilton Freitas; de Administração, Sandra Peggy; de Cultura, Cristiano Lobo; o superintendente da SMT, Ricardo Cunha; o presidente da Câmara, Marcos Lima; e os vereadores Jurandy Carvalho e Albino Brandão.
Município está em área conhecida pelas temperaturas mais amenas em relação ao restante do estado
Foto: Ascom SDE
Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, voltou a liderar o ranking das cidades mais frias do Nordeste ao registrar 16,5 °C, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgados na quarta-feira (17). Em outro ponto de medição no município, os termômetros marcaram 17,4 °C.
Além de Vitória da Conquista, outras duas cidades baianas aparecem entre as menores temperaturas da região. Lençóis ficou na segunda colocação, com 17,4 °C, seguida por Morro do Chapéu, que registrou 17,7 °C. Ambas estão localizadas na Chapada Diamantina, área conhecida pelas temperaturas mais amenas em relação ao restante do estado.
O frio é uma característica recorrente de Vitória da Conquista, que há anos carrega o apelido de “Suíça Baiana”. O município já protagonizou outros registros históricos de baixa temperatura. Em 24 de julho do ano passado, por exemplo, os termômetros chegaram a 6,5 °C, considerada a terceira menor marca desde 1976, quando tiveram início as medições oficiais da estação do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
“Voltar para a escola depois de tantos anos foi um desafio, mas hoje eu provo que nunca é tarde para recomeçar”, declarou o comerciante, de 78 anos, Pedro Santos Santana, durante a solenidade da Formatura Unificada da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Ensino Médio, realizada nesta terça-feira (16), no Hotel Fiesta, em Salvador. As palavras, carregadas de emoção e orgulho, traduzem as muitas histórias de superação vividas pelos estudantes que participaram da cerimônia, que marcou a conclusão de uma etapa fundamental na vida de 293 alunos concluintes pela rede estadual de ensino.
A secretária da Educação do Estado, Rowenna Brito, destacou o caráter histórico da iniciativa e o compromisso do Governo do Estado com uma educação democrática e inclusiva. “É mais um dia histórico da educação da Bahia. Estamos dando visibilidade a pessoas que, ao longo da vida, foram invisibilizadas, seja por questões sociais, preconceito ou machismo. Aqui na Bahia, respeitamos o tempo das pessoas e valorizamos suas trajetórias”, afirmou.
O evento foi mais que um ato formal reunindo estudantes do ensino médio de diferentes escolas de Salvador. Participaram da solenidade concluintes do Colégio Estadual de Tempo Integral Manoel Devoto, Colégio Estadual Sara Violeta de Mello Kertesz, Colégio Central da Bahia, Colégio Estadual de Tempo Integral Professor Pedro Paulo Marques e Marques, Colégio Estadual de Tempo Integral Duque de Caxias, Colégio Estadual de Tempo Integral Edgar Santos, Colégio Estadual Clarice Santiago dos Santos, Colégio Estadual Thales de Azevedo e Colégio Estadual de Tempo Integral Nelson Mandela.
Jovens, adultos e idosos que, ao retomarem os estudos, transformaram suas trajetórias e reafirmaram, por meio da educação, a possibilidade de novos recomeços. “Estou muito feliz. Jamais imaginei chegar até aqui e, graças a minha família, eu consegui. E não pretendo parar, pois quero fazer uma faculdade. Tenho sonho de me tornar psicóloga”, completou a auxiliar administrativo, Maria de Lourdes.
Mais do que celebrar conquistas individuais, a formatura reafirmou a Educação de Jovens e Adultos como uma política pública estruturante, essencial para garantir o direito à educação ao longo da vida. A iniciativa fortalece a identidade da EJA como espaço de acolhimento, pertencimento e dignidade, reconhecendo a diversidade de trajetórias e tempos de aprendizagem.
“São histórias de superação que mostram a força transformadora da educação, como mulheres que retornam aos estudos após décadas e pessoas com mais de 80 anos concluindo o ensino médio. O papel do Estado é estar presente, garantindo infraestrutura, programas e projetos que assegurem uma educação pública de qualidade, inclusiva e que valorize cada sujeito em sua diversidade”, completou Rowenna Brito.
Sobre a EJA Atualmente, a Bahia conta com 984 unidades escolares e anexos que ofertam a modalidade EJA Ensino Médio em 409 municípios, alcançando milhares de estudantes. Somente neste ano, 44.702 concluintes da EJA em todo o estado celebrarão a conclusão do ensino médio. As demais escolas da capital, da Região Metropolitana de Salvador e do interior realizarão suas cerimônias na próxima sexta-feira (19), juntamente com as formaturas do ensino médio regular.
A premiação avalia o desempenho das cidades brasileiras a partir de critérios técnicos
Feira de Santana foi reconhecida nacionalmente ao receber o Prêmio Band Cidades Excelentes, na categoria saúde e bem-estar, voltada para municípios com mais de 100 mil habitantes. A premiação avalia o desempenho das cidades brasileiras a partir de critérios técnicos como educação, sustentabilidade, governança, eficiência fiscal e qualidade dos serviços públicos.
De acordo com o diretor comercial da Band, Edmilson Vaz, o prêmio possui credibilidade nacional por utilizar uma metodologia totalmente técnica. “É uma premiação legítima, que monitora os 5.570 municípios do Brasil sem interferência humana. Todo o processo é feito por meio de robôs e inteligência artificial, que avaliam pilares como educação, sustentabilidade e saúde”, destacou.
Edmilson também parabenizou a gestão municipal pelo resultado alcançado. “Feira de Santana é uma cidade excelente em saúde e bem-estar. Parabéns ao prefeito José Ronaldo e parabéns a Feira de Santana”, afirmou.
O prefeito José Ronaldo de Carvalho afirmou que o reconhecimento reflete o compromisso da gestão municipal com a saúde pública e o bem-estar da população. De acordo com o gestor, o município investe mais de 34% do orçamento na área da saúde, percentual superior ao mínimo constitucional.
“Esse resultado é fruto de muito trabalho e planejamento. Divido essa conquista com toda a equipe da administração municipal e com a população de Feira de Santana. Seguiremos avançando para oferecer serviços cada vez melhores”, afirmou o prefeito.
A gestão municipal reforça que continuará investindo em ações que garantam mais qualidade de vida, saúde e bem-estar para os feirenses, buscando novos avanços e reconhecimentos nos próximos anos.
Documento define diretrizes voltadas à garantia do direito de escolha de pais e responsáveis
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O Ministério Público da Bahia (MPBA) firmou, nesta segunda-feira (15), uma Nota Técnica Conjunta com órgãos de defesa do consumidor e o Sindicato das Escolas Particulares da Bahia (Sinepe) para estabelecer regras e orientações sobre a compra de material didático e o uso de plataformas digitais nas instituições privadas de ensino.
O documento define diretrizes voltadas à garantia do direito de escolha de pais e responsáveis, além de coibir práticas consideradas abusivas, como venda casada, imposição de fornecedor exclusivo e cobrança indevida. A Nota também determina maior transparência por parte das escolas quanto a preços, formas de pagamento, possibilidade de reutilização de materiais e prazos mínimos para adoção de novos conteúdos.O Ministério Público da Bahia (MPBA) firmou, nesta segunda-feira (15), uma Nota Técnica Conjunta com órgãos de defesa do consumidor e o Sindicato das Escolas Particulares da Bahia (Sinepe) para estabelecer regras e orientações sobre a compra de material didático e o uso de plataformas digitais nas instituições privadas de ensino.
O documento define diretrizes voltadas à garantia do direito de escolha de pais e responsáveis, além de coibir práticas consideradas abusivas, como venda casada, imposição de fornecedor exclusivo e cobrança indevida. A Nota também determina maior transparência por parte das escolas quanto a preços, formas de pagamento, possibilidade de reutilização de materiais e prazos mínimos para adoção de novos conteúdos.
De acordo com a promotora de Justiça Thelma Leal, a iniciativa tem como objetivo uniformizar entendimentos, evitar conflitos no início do ano letivo e reduzir a judicialização de demandas envolvendo escolas e famílias. O texto ainda orienta que nenhum aluno seja prejudicado pedagogicamente por utilizar material de anos anteriores, dentro do prazo legal, prevendo adaptações quando houver mudanças relevantes de conteúdo.
Elaborada em parceria com o Procon Bahia, a Defensoria Pública do Estado, a Codecon e o Sinepe, a Nota Técnica reforça a proteção dos direitos do consumidor, a acessibilidade para estudantes com deficiência e a obrigatoriedade de informações claras e prévias por parte das instituições de ensino.
O documento ressalta que os dados divulgados não espelham a realidade enfrentada pela advocacia e pela sociedade baiana
A OAB Seccional Bahia, sua diretoria e as 37 Subseções em todo o Estado formalizaram uma manifestação conjunta ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) questionando os indicadores apresentados no relatório “Justiça em Números 2025”.O documento ressalta que os dados divulgados não espelham a realidade enfrentada pela advocacia e pela sociedade baiana, ao desconsiderarem distorções que impactam diretamente a efetividade da prestação jurisdicional, como a extinção de processos sem resolução de mérito, despachos meramente formais e lançamentos artificiais no PJe (sistema chamado “Processo Judicial Eletrônico) que reduzem o volume aparente de trabalho.
“A OAB Bahia reivindica que o CNJ revise seus critérios e incorpore métricas que traduzam resultados concretos para o cidadão. Também reforça a necessidade de medidas estruturantes por parte do TJ-BA, capazes de promover avanços reais na qualidade e na eficiência da Justiça”, declara Daniela Borges, presidente da OAB Bahia.
Ainda de acordo com ela, “seguimos firmes na defesa de uma prestação jurisdicional transparente, célere e comprometida com a sociedade baiana”. Para Lorena Peixoto, presidente da OAB Subseção Feira de Santana, reconhecer as fragilidades e a necessidade de aperfeiçoamento é o primeiro passo para mudar o cenário que ainda compromete a efetiva e célere prestação jurisdicional.
“A nomeação de juízes com a respectiva vaga em outra unidade, o número de servidores abaixo do necessário, e as estruturas que não agasalham as demandas para o bom desempenho da função pelos servidores são alguns dos exemplos que a advocacia vive, sobretudo a advocacia do interior. Portanto, esta é uma importante manifestação”, salienta.
Sala de aula em escola na Bahia — Foto: Divulgação/Ascom Sec
Cursos de capoeira, teatro e dança serão ministrados em escolas estaduais. Estudantes também receberão duas refeições.
Sala de aula em escola na Bahia — Foto: Divulgação/Ascom Sec
Diversas escolas da Rede Estadual de Ensino da Bahia vão oferecer oficinas e atividades gratuitas para os estudantes durante o período de férias. Além de participarem de cursos, os inscritos receberão duas refeições diárias.
O projeto “Férias na Escola” foi implementado em 2024 e, só na primeira edição, mobilizou 58 mil estudantes em 55 escolas.
Os alunos interessados devem ir até a escola em que estudam e verificar se ela integra a lista das unidades que participam do programa. As inscrições vão acontecer nas próprias escolas participantes, entre os dias 7 e 9 de janeiro.
📚 As atividades serão realizadas durante o turno matutino, entre os dias 12 e 30 de janeiro. Entre as oficinas disponibilizadas, estão as aulas de capoeira, dança e teatro.
Cronograma do Férias na Escola 2026
Inscrições para as oficinas: 7 a 9 de janeiro de 2026 Início das atividades: 12 de janeiro de 2026 Término das atividades: 30 de janeiro de 2026
Museu do Recôncavo da Bahia é reaberto após 25 anos — Foto: Joá Souza/GOV BA
Equipamento oferece visitas guiadas com monitores especializados, audioguia em Libras, banheiros acessíveis e áreas de descanso, além de espaços para residências e ocupações.
O Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, dedicado a relembrar a história do Recôncavo da Bahia, foi reinaugurado, nesta segunda-feira (8), após 25 anos fechado. O equipamento funcionará de quarta a domingo, das 10 às 17h, com acesso gratuito.
A cerimônia de reabertura aconteceu na cidade de Candeias, onde o casarão antigo está localizado, e contou com a presença do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), do secretário da Cultura do estado, Bruno Monteiro, bem como moradores e gestores.
O museu fica em um casarão, que é um patrimônio histórico tombado e instalado dentro do antigo Engenho Freguesia, do século XVI. A propriedade fica no distrito de Caboto e foi doado ao governo do estado em 1970, quando foi transformado em museu e recebeu o nome em homenagem à família que doou o imóvel.
O equipamento oferece visitas guiadas com monitores especializados, audioguia em Libras, banheiros acessíveis e áreas de descanso, além de espaços para residências e ocupações. O percurso, que inclui a Capela de Nossa Senhora da Conceição da Freguesia, tem duração média de duas horas.
O local funcionou até o ano de 2000, quando precisou ser fechado devido às condições precárias. O casarão ficou 18 anos fechado até começar a ser reformado. Para a reabertura, a rede hidráulica foi restaurada e mais de 100 câmeras de monitoramento instaladas. Cerca de R$ 42 milhões foram investigados no loca, que preserva uma série de objetos do período colonial.
“Nós vamos ter uma programação firme tanto com a região, mas principalmente estimulando que turistas que cheguem em Salvador ou na região do recôncavo possam passar aqui e conhecer a nossa história”, pontuou o governador do estado.
Museu do Recôncavo da Bahia é reaberto após 25 anos — Foto: Manu Dias/GOV BA
A exposição de abertura apresenta utensílios de cozinha originais da época e mobiliário do século 19. Uma ala foi dedicada aos povos originários da região, que tem sua história contada nas paredes do museu. Uma sala dedicada ao período da escravidão, grilhões, correntes e algemas foram trazidas para apresentar a realidade dos africanos cativos obrigados a trabalhar na região no período histórico.
“Esse objetos vieram para cá para a gente apresentar essa realidade também, que aconteceu e foi dentro dessa casa. As pessoas precisam ver o que aconteceu”, opinou Daniela Steele, coordenadora do museu, em entrevista á TV Bahia.
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ExposiçãoMuseu do Recôncavo da Bahia é reaberto após 25 anos — Foto: Joá Souza/GOV BA
Núcleos expositivos
A partir de um amplo trabalho de pesquisa e concepção realizado pelo IPAC, o Museu passa a contar com cinco núcleos expositivos que estruturam a nova narrativa, além da Capela de Nossa Senhora da Conceição da Freguesia, com exposição de arte sacra, e o térreo para exposições temporárias de longa duração.
O Núcleo Histórico apresenta uma linha do tempo que revisita os principais marcos do Engenho Freguesia e a trajetória do próprio Museu. No Núcleo dos Povos Originários, o visitante encontra fotografias, vídeo documentário e uma intervenção artística em grafismo feita pelo artista indígena Thiago Tupinambá.
O Núcleo dos Povos Escravizados reúne manuscritos do poema “Os Escravos”, de Castro Alves, digitalizados do original preservado no Parque Histórico Castro Alves (PHCA), administrado pelo IPAC em Cabaceiras do Paraguaçu. Também há documentos históricos e totens para acesso à plataforma Slave Voyages, um banco de dados gratuito sobre o tráfico transatlântico de escravizados.
O Núcleo Doméstico apresenta mobiliário, retratos, pinturas, desenhos e uma cozinha de época, sem janelas e grandes fornos, retratando o espaço onde as mulheres escravizadas trabalhavam, preparavam a alimentação dos seus senhores e articulavam formas de resistência . Em vez de quartos e salas em estilo colonial, devidamente arrumados, a disposição do mobiliário evidencia a mão de obra de artesãos anônimos.
O Núcleo da Memória reúne objetos de suplício e tortura na Sala do Silêncio, convidando o público à reflexão. “Esta reabertura consolida nossa política de preservação e requalificação dos museus do IPAC, ao mesmo tempo em que nos convida a revisitar o passado e escutar as vozes daqueles que moldaram a história do Recôncavo e da Bahia. Aqui vamos recontar a história a partir dessa perspectiva e já estamos preparando uma série de atividades para ocupação do museu”, destaca Marcelo Lemos, diretor-geral do IPAC.
O núcleo ainda inclui a mostra colaborativa Fragmentos do Passado, montada com a participação dos atuais trabalhadores do museu, que receberam uma homenagem do governador Jerónimo Rodrigues. A mostra reúne restos de móveis, ferramentas e objetos encontrados durante as obras e expostos de modo que remete a uma sala de ex-votos. “São fragmentos que contam histórias de trabalho, criatividade e resistência. A curadoria parte da ideia de ex-votos, reinterpretada como gesto de memória e reconhecimento”, explica Daniela Steele, artista plástica e coordenadora do projeto expográfico.
No térreo, o Museu abriga a exposição temporária de longa duração “Encruzilhadas”, que reúne obras de arte negra brasileira e africana dos acervos do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) e do Solar Ferrão. São 40 artistas representados, entre eles Mestre Didi, Pierre Verger, Rubem Valentim, Juarez Paraíso, Emanoel Araújo, Bel Borba, Arlete Soares e Alberto Pitta. A mostra inclui, ainda máscaras da Coleção Cláudio Masella, industrial italiano que reuniu peças de 18 etnias de 15 países.
A escolha da exposição para a reabertura do Museu dialoga com a metáfora da encruzilhada como lugar de movimentos e recomeços, associada a Exu, orixá da comunicação e abertura de novos caminhos.
Acervo e visitação
Núcleo dos Povos Originários, no Museu do Recôncavo da Bahia — Foto: Manu Dias/GOV BA
O acervo original do Museu do Recôncavo conta com 260 peças, entre mobiliário, indumentária, desenhos, pinturas, cerâmicas e fotografias, além de instrumentos de tecnologia rural e industrial e objetos de suplício. Destas, 141 foram restauradas por uma equipe de 15 profissionais coordenada pelo professor Dirson Argolo.Entre elas, 30 imagens sacras.
Estão programadas residências e ocupações artísticas e atividades formativas, buscando integrar a comunidade ao cotidiano do espaço. Oito projetos foram selecionados, por meio da PNAB ano 1, entre eles: Ecos do Engenho, que promoverá oficinas abertas de cerâmica inspiradas nas tradições do Recôncavo Baiano e no simbolismo do Marafo de Exu, como metáfora da resistência cultural; e Narrativas da Palavra: Engendrando o Ver, que amplia a participação de pessoas com deficiência no museu, com vídeos com audiodescrição e oficinas de acessibilidade atitudinal e comunicacional.
Histórico
Museu do Recôncavo da Bahia é reaberto após 25 anos — Foto: Joá Souza/GOV BA
Instalado no Engenho Freguesia, considerado o primeiro engenho do país, o Museu ocupa um espaço do século XVI marcado pela presença indígena e pela história do trabalho escravizado. Em 1877, 121 pessoas escravizadas atuavam no local.
Herdeiro do casarão, o historiador José Wanderley Pinho — professor, prefeito de Salvador e deputado federal — propôs uma das primeiras iniciativas de proteção ao patrimônio cultural no Congresso. Embora a proposta tenha sido interrompida pela dissolução do Parlamento em 1930, o texto serviu de base para a futura legislação de proteção ao patrimônio cultural e inspirou a criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1937.